Aclarando nódoas guardadas
Horizonte de velhas vidas
Ponta das ilimitadas fases geridas
Água ida na pia, mãos mal lavadas
Acomodo as estantes nos livros
E é difícil
16.4.09
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Shauan Bencks
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12:28 p.m.
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6.4.09
É fino o trato do tempo
Limpa cada fresta
Entre os azulejos
É doce e calculado
Versa sobre cada passo
do ponteiro
Na lembrança
esticar de lança
buscando o furo certeiro
Bastando ser de trança a trança
Que a paciência dance
Ao som de um concerto inteiro
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Shauan Bencks
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1:16 p.m.
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3.4.09
Sentei-me e a senhora Impaciência sentou bem à minha frente, Olá como pode ver sou sua impaciência e tenho exatamente a sua fisionomia, mesmos traços, mesma cor, mesmo cacoete e mesma vontade de, no meu caso, não te ver paciente, e no seu caso, de não se ver impaciente. Se bem que, muitas vezes, contrariando o aparente fluxo natural das coisas, mais o contrário é a verdade, o desejo, O que mais se quer é ser impaciente, como se isso moldasse aos olhos dos outros uma imagem de um ser mais rude, mais senhor de si, Mas voltemos ao foco, pois não é para dar lições e explicar motivos que estou aqui.
Em todos estes anos, desde o iluminar da luz hospitalar que vi, depois de aquecido e acolhedor útero materno, eu havia pensado que, demonstrar impaciência poderia estar relacionado com o ato de gerar, nos outros, uma imagem de segurança, mas vamos lá, que se descobre a cada dia um sentido novo de ser, e uma nova luz como a primeira.
Continuou a Impaciência dizendo, Venho até aqui, colocando-me como uma espécie de entrevistadora, para questioná-lo sobre como andam meus serviços, sei que parece estranho, mas nós da impaciência estamos com novas práticas, querendo aperfeiçoar nossos trabalhos, atender melhor nossos clientes/pacientes/enfermos/obsessores, ou seja lá como se queira chamar, E com esta nova iniciativa, almejamos também medir quantas pessoas existem que nos tem em si com certa inconsciência, ou seja, são impacientes por algo não diretamente explicável, e quantos existem dos que se comprazem conosco, aliam-se a nós, são parceiros da empreitada de amofinar, inicialmente suas próprias vidas, mas inevitavelmente a vida também de quem se aproxime, o que para nossa equipe é trabalho mais do que interessante e admirável. Então; vejamos o que o senhor tem a dizer?
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Shauan Bencks
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1:32 p.m.
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27.3.09
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ta esquisito !
N.G.
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Salve Raul, "Parem o mundo que eu quero descer".
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Shauan Bencks
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4:25 p.m.
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26.3.09
Em meio a uma estranha e turbulenta narrativa sobre a Morte, sobre o quanto ela é necessária e o quanto o ser humano é perdido e limitado, o “Mago” me solta uma destas:
“...ninguém diria, que é o primeiro violoncelista de uma orquestra sinfónica da cidade, que a sua vida discorre por entre as linhas mágicas do pentagrama, quem sabe se à procura também do coração profundo da música, pausa, som, sístole, diástole.”
O que dizer?
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Shauan Bencks
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10:06 a.m.
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24.3.09
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Shauan Bencks
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10:15 p.m.
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23.3.09
Sobrancelha lança um átimo
Um ótimo
ou um péssimo
pensamento
Aliada à boca
queixo
Vive o agora
O futuro
Catedral do esmaecimento
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Shauan Bencks
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9:19 a.m.
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20.3.09
Espaço Cultural Grande Otelo
Rua Dimitri Sensaud de Lavaud, 100 – Vila Campesina
Telefone: 3699-5618


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Shauan Bencks
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10:39 p.m.
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18.3.09
Olá, meu nome é “Espaço”
Tenho alguns bons anos e as vezes nem tantos
Jogo latinha pela janela do ônibus
Cuspo na calçada
Assoo o nariz na rua
Ligo o celular, sem fone de ouvido, bem alto em lugares públicos e cheios
Bitucas sempre nos lugares delas, ou seja, em qualquer lugar
Meu pirão sempre primeiro
Não tenho espelho em casa
Eu é que sempre sento no trem
Velhas fiquem em casa
Que todos os outros se mudem
Se toquem
E não me incomodem
Principalmente no horário comercial
Nos finais de semana e também feriados
Grato
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Shauan Bencks
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12:51 p.m.
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17.3.09
O mesmo propósito de ontem é o de hoje, trabalhar, estudar, viajar, o feriado, o ensaio, a casa, a padaria, a fotografia, a monografia, o vasilhame, a tigela, o aniversário, as férias, a dieta, o filme, a mesa, as compras, a dança, a cobrança, o gato, o sapato, a conquista, a perseverança, a suavidade, a permanência, a melhora, a inconstância, a calma, a esperança, a leitura, a criança, a nave, a fase.
O suor e a água
O cansaço e a cama
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Shauan Bencks
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1:11 p.m.
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16.3.09
Tudo tem criado atmosfera de reforma
Textos e visões de novos caminhos
O tempo todo
A cada conquista, ainda que só imaginada
Grita efusiva platéia
Para frente
Para mais
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Shauan Bencks
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10:58 a.m.
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13.3.09
Mato Cortado
[Brincando de Mago]
O mato cortado, cheirando viagem ao interior, fez triunfar um pensamento de escrita, iniciado de um desejo repentino, daqueles que dá vontade de realizar, mas a realidade não deixa, O jardineiro, sem pensar no que estava fazendo, automação natural do dia-a-dia, esta que sempre nos embala, desfolhava em meu caminho um corredor de grama e outras pétalas que, por aparente má sorte, delas, estavam no caminho. Sai pela tangente, para não atrapalhar o serviço e não causar má reação ou careta, ser inoportuno à automação natural do dia-a-dia de alguém geralmente não dá em boa coisa. Mas ainda assim, foi assim que o cheiro intensificou a vontade de ter distância destes prédios, Quero plantar laranja, colher salsinha, sei que não quero na verdade, quero piscina, churrasco e sol, mas é bom se enganar.
A natureza me deu um nariz pouco bom, alergias devem tê-lo danificado, me tratei e sou outra pessoa, mas seqüelas eram esperadas e assim é, mas, venho eu, no corredor das gramas ceifadas, na automação do dia-a-dia do jardineiro, a qual me encaminhava também, para a minha, sentindo o cheiro mais próximo de uma natureza que quase nem existe onde vivo, cheiro forçado, que até meu nariz falhado sentiu, e o sonho da manhã em lugar ermo se esclareceu íntimo, se “inusitou” entre os prédios ásperos gerando uma certa intranqüilidade, sem grandes conseqüências pois é quase chegada a hora do café preto e uma bolacha, mas por hora é o que se passa e o que pode, e vai, voltar a passar amanhã, até o próximo café, ou até eu ser uma das pétalas que, por boa sorte, minha, esteja no caminho de algum jardineiro.
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Shauan Bencks
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9:59 a.m.
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12.3.09
Dia a dia nos tornamos
o pouco que ainda somos
o muito se re-auto-nos-compararmos
o vago que se apresenta
a constância que sempre existe
a falha que alimentamos
ou o acerto
na calma
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Shauan Bencks
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12:49 p.m.
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11.3.09
Às voltas com um sol alto
vi que se abanavam leques
E o vapor que balouçavam
antes enganava do que resfriava
Às voltas com minhas noites
vi que luzes negras (fáceis) se acendiam
E o escuro que iluminavam
Antes mais escurecia
Às voltas com o que se espera
A ânsia se torna verdade
A hora sempre tarde
A angústia sempre mais
Às voltas com um caminho
Que mostre o periódico engano necessário
Fotografia do hoje no porta-passado em grande armário
Se nos apresenta um antídoto contra a crueza
a pressa que me faz retardatário
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Shauan Bencks
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12:39 p.m.
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10.3.09
Estava voltando de algum lugar
Lugar que o dia sempre me leva
Estava lendo sobre a morte
Algo sobre a função dela
Me cercou um vento
E disse:
O dia sempre te levará para alguma morte
Seja o óbito de um pensamento equivocado
Seja o óbito de um pensamento bom
E qualquer que seja levará, possivelmente,
ao óbito de alguma inércia,
o nascimento de alguma ação.
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Shauan Bencks
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12:53 p.m.
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